...like moving on clouds...

...like moving on clouds...
(Nome de movimentos em formas de taijiquan...)

22/05/2008

...O REGRESSO...

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…O REGRESSO…

(em continuação da edição de "...FA(?)TOS USADOS..." )


Voltei…

...Assim, a modos que “posso ante posso”, como se se tratasse de um lugar emprestado…ou sob concessão, a esta prateleira _ não, gaveta e titular, pois!
Mas não deixa de ser tentador usá-la como pertença em mutualidade, i.e., com presenças nos dois extremos do éter, ligados pela tal ponte…eu já virei tratar desta coisa de pontes…é deveras fundo (bem mais do que apenas profundo, ou fundamental, em mim…).

E então venho apenas deixar… algo como um pedacinho de afecto, é bom poder recolher a casa, lançar pontes em palavras, mesmo que só com a sugestão de voz, …com ou sem timbre…Então trago um raiozinho da cor funda que me acompanhou hoje, colhido na visita ao mar (minha dependência nº 1: namoramar); não trago do cheiro de maresia: o mar tinha-se desistido...era um lago (seria da lua nova?), mas via-se muito arrepiado pela ventania fria, a nortada famosa que cá nos assola a partir desta época...; daí, nada de aromas...já foi obra simplesmente conseguir respirar e manter os pés em frente...


Despeço-me e tudo…esperando ter melhores e mais significativos momentos a guardar…


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É difícil…


Não sei se vou conseguir continuar a vir aqui, inquietando-me com o receio de inquietar o meu suposto interlocutor, isto é, o papel que lhe atribuo tem um certo peso (no equilíbrio dos meus dias) e que tinha decidido conferir-lhe…colocam-se-me quase questões de ética, de resolução de papéis, de auto-posicionamento como sujeito e objecto _de plena consciência, note-se…



E se fosse um interlocutor real (nesta virtualidade, claro!)?
Não sei separar esse temor do outro, o de cortar o cordão que me une aos ecos de mim que encontrei ou, pelo menos, pensei sentir-me ao ler-me nas várias escritas que me ressoam como algo próprio…Também será uma forma de resistir a separar-me do investimento energético que acompanhou essa adesão: então é também uma resistência, (sendo adepta de “ahimsa”, nada de causar dano, nem mesmo por pensamentos ou por poder ser deliberadamente egoísta…não daria para assustar ninguém); seria algo como o “egoísmo iluminado”, de que fala o Dalai Lama _ apenas sem a iluminação, claro _ mas em busca da luz, isso sim…






Porque durante algum tempo eu estive incapaz de ler_ impensável jejum de uma só-então-ex-litero-dependente-crónica _ de vida própria sempre adiada, desde a infância, posso dizer, com um espaço de tempo crucialmente determinante para essa minha “absorção”ou bibliofagia: uma doença que me prendeu meses no leito; vivia bebendo as páginas dos livros com que se deram conta, felizmente, que tinham de alimentar-me_ mesmo que sem grandes critérios na escolha…



Mais tarde, foi ainda assim como que a tábua de salvação dos tempos “das sombras”, resistindo apenas nas e pelas vidas criadas por outros…sustendo-me em mundos virtuais, minha realidade …em ambiente seguro…

Até à travessia…





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17/05/2008

...FA(?)TOS USADOS...

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A cada dia há que reinventar a força de sonhar a vida que queremos que seja…




Fui ver o filme. À partida, não tinha qualquer campo de expectativa acima do horizonte; fui por curiosidade, para poder manifestar-me _ caso surgisse a oportunidade, ainda que remota _ de poder vir a fazê-lo em primeira-mão. Era um documentário, género que habitualmente não me atrai, mas fui aderindo, com alguma surpresa, presa pela inteligência e discernimento, que, em vez de discriminar, integrava assumidamente o jogo de contrastes, sem separação! Passei do aperto de coração ao riso pela mão suave da subtileza…Enfim: gostei mais do que previra... e deixei-o registado na “prateleira”: o humor bate tudo!!; a necessidade aguça o engenho...; o amor cura o mundo...minha leitura...demasiado rápida, mas humilde, perante o resto. E deixei um sorriso e uma saudação animada...
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Passou o tempo do meu “intermezzo”_ paralelo_e, ainda girando como num torvelinho, tentando gerir dois universos momentaneamente tangenciais, mas a velocidades diferentes, tratei de despedir-me daquela prateleira suspensa no espaço virtual, onde pingava breves notas das ondas de interferência que esse tempo/ balão de oxigénio trazia ao ritmo comiserado dos dias _ que pareciam perder algum brilho no logo-após….
Cada parcela fora um sol acrescentado.


...E sim, era confortável imaginar ter um interlocutor virtual menos imaginário do que é suposto existir na criação literária, e “saber” de afinidades que cimentam a ideia formal de ligação/ adesão...pronto, está bem, algum fascínio... mas de redes tecidas a nível mental...

A ideia acabou por me agradar e deixou-se ficar, de modo que a promovi, de prateleira, a gaveta, titular, com direito a cantos, recantos e possibilidades de amontoar algum material, até em ângulos oblíquos, …por um certo incerto tempo…Até deu para me pôr a idealizar como seria passar um tempo a experimentar a plasticidade das palavras, metaforizando em língua estrangeira; bom, para quem passa por vezes alguns períodos no limbo que é a inter-língua…talvez, quem sabe…é que há línguas maternas, mas também as haverá madrastas, não? Penso que conheço casos desses…


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..."Sempre que alguém acreditou que podia mudar o mundo, o mundo mudou" -frase publicitária numa carta duma seguradora que hoje o universo fez depositar na minha caixa de correio… "A" material!!

Não consegui ficar impávida: é uma das minhas frases-citação de eleição( ou colecção…), tal como a de Albert Einstein, que diz que só podemos ver o mundo de duas maneiras :”Ou que tudo na vida é milagre, ou nada o é..” Não é importante saber isso por palavras...está inscrito no cerne da minha vida...mais recente (tantas as peles que foram ficando pelo caminho...); mas rodeio-me delas porque há tempos de incertezas...de matizes descoloridos...tapetes que fogem...asas cansadas...
E hoje isso aconteceu porque a chama que tenho que alimentar a cada despertar tem andado intranquila...e não lhe tem sido fácil afastar o medo-papão...de que não seja mais importante sonhar do que ser-se sonhado(a) ...imperdoável fraqueza!

…E então tem de ser lembrada do que já traz tatuado, só que pelo avesso, herança de vividas epifanias: não desistir do sonho, da fé ...no "amor e humor" _ a panaceia para os males da alma que forja o mundo...
E é quase... constrangida, que segue a reforçar-se na proximidade dos rastos de faróis dessa luz, azul/esperança, nos ecos de vozes de arco-íris....

Obrigada, a todas essas vozes, por saberem, tão melhor e em beleza, iluminar os sonhos do mundo _ quiçá, também, ao serem guerreiros contra medos-papões pessoais é que se fazem ícones de nossas coragens...

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11/05/2008

...Do Tempo Das Asas...

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....Do Tempo Das Asas...

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Continuo a fintar as nuvens de nostalgia quando me venho debruçar na tela de alguns tempos…Afinal, tinha-me dedicado ao culto da esperança certificada, a certeza de algo melhor e mais sublime que sentia provir de um futuro com muito pouco de linear…, fruto de uma secreta e indistinta bússola, parente dos sorrisos que trago das visitas à fonte…

Era a instância das palavras caindo como gotas destiladas da emoção pura, escorrendo da flor dos sentidos para o papel em alinhamentos virgens de retoques ou mentalizações.

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O sofrimento que ainda rejeitas tem-se acumulado em volta, não distingues é se as arestas mais agudas se viram para fora, se para dentro. O

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Pois, parece que deixei em suspenso o efeito “porco-espinho”…Será uma das contingências relacionadas com o animal símbolo do ano?
Conseguirei exorcizar o conteúdo, até aqui mal ventilado, da mágoa que deixei acrescentar-se em meu redor, sem ter ainda a certeza de onde provém?

A luz dos dias é agora uma conquista ao movimento linear e convencional do tempo, um esforço da mente em trabalho substituto da certeza iluminada do tempo das asas.De quando em vez, pulsa até ao presente o pensamento _ ou sentimento _ que em determinada e indefinida altura povoou as minhas certezas.

Então é firme a noção de ser todos os instantes, havidos, supostamente perdidos, e ainda aqueles por haver. Assim como o conhecimento (certeza, não pode ser; pressupõe dúvida, o que nem se coloca!) de que apenas digo a outros o que se aplica a mim, ou vice-versa, nesse jogo da verdade mundanamente escondida de que somos todos a mesma face, do mesmo rosto, num mesmo corpo _ não podemos desprezar-nos_ e também: temos mesmo é de amarmo-nos!
Belo álibi para um qualquer cultista do ego!

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Regresso com renovado interesse ao desenrolar das instâncias em que me sentia tão próxima do que poderia ser o melhor de mim: aquelas descobertas tombando, não, gotejando das alturas, de alguma destilaria sublime, alquimia pura de desconhecimentos e sabedoria intrincadamente enredadas mas subitamente simples...

Enfim, cá me debato com o vazio palavroso, ferramenta mais ingrata para pintar interiores de gente!...

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...NEBLINAS...

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...NEBLINAS...

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04/07/0.



Pois é… é que as palavras parece que já não me falavam… as pausas seguiam-se às pausas, os silêncios fizeram os dias palrarem de cuidados de outros… impérios, quiçá mesmo ditaduras…

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Tenho trabalhado mal, formatado um mundo bem mais duro, pois cheguei a concluir que me falta _ e faz falta _ delicadeza. “In the end, only Kindness matters”. E no princípio, e pelo meio, através do tudo, tem-me faltado delicadeza.

Mas hoje tive/ste de trazer-te e trazer-me ao espanto, registado, registe-se, de ver que o mar saiu a passear. Está lá longe, visita a pele de alguns que se banham, é certo, mas de longe.

E o som…ressoa surdo, de longínquo, nada de violento ou tumultuoso, mas trouxe-me à presença da vertigem, tão sugestivo é, este eco de si em mim: ao longe…


Há bruma, leve, leve, nesta hora de sol a pique; a humidade amacia o ar de hora de menos prana _ mas a vertigem aderiu à minha estranheza… e tive de desistir de me entregar ao movimento, por suspeita de poder soltar-me mesmo…

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Não consigo explicar o que me toma e a minha firmeza é mais de fazer força do que ser forte…


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O mar apenas respira na borda da praia – só que esta está enorme espraiando-se pelo ex-mar adiante_ e mantém-se estendido, adormecido pelo horizonte afora, terminando atrás da minha nuca, bem podia, tudo igual, prolongando-se na redoma total, excepto pelo amarelo e vermelho plástico das cadeiras que me seguram no aqui.


Até a normalidade do serviço, conhecido desde outros anos, se alterou hoje : e iam dar-me cafeína a rodos: quem sabe se deveria ter deixado?


O livro que... ..


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... O Tempo do Deserto...



O livro que iniciei talvez seja forte demais para um período sem amarras como o que atravesso: parece falar de esquinas entre o cá e o lá, jogo de lâminas/desafios de controlo, mente/desmente/demente



Volto então ao mar; ao sol, ao ar que, de tão rebelde, se me tornou dolorosamente adverso, sublinhando a privação de âncoras. Mas ontem estive perto de energia humana e devo reconhecer que favorável e gentil, ainda que em breve passagem...


As brincadeiras oraculares no computador também assistiram a não me sentir tão alienada de realidade_ engraçado e irónico, até, este facto.
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Vou esforçar-me por laborar mais a disciplina do registo; custa-me de certo modo, nem sei bem qual, falar no retorno à palavra... Sinto-me ainda afastada do que me habituei a sentir quando usava esses termos. Projectos, sentimentos, são "coisas" longínquas e ficcionais, e o "deserto" feito pela agitação de presenças alheias numa massa incómoda e indesejada acaba por ser algo mais parecido com infértil e árido.


Conclusão: reformular vocabulário é mesmo urgente e as metáforas terão de me ser favoráveis como copas frondosas e frescas em tempo de secura...
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Desfolhou-se um dia.
Dia de retempero, sem dúvida alguma. Azul celeste, de dentro a fora, em cima em baixo; e até em redor as rajadas, mais suaves, foram-me mais doces.
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Bons auspícios, desde a consulta da manhã_ e ainda era manhã!
Vou ter de escolher sonhos, projectos. Depois, escrevê-los. Ou será que consigo decidir-me sem tanta aflição se os escrever primeiro, fazendo desse registo prioridade e testemunho irrevogável?
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A pergunta mais dominante permanece, continua sem resposta. Decidi ontem submetê-la ao oráculo oferecido pelos meus novos recursos. Entre nascimento e impedimento na mutação fiquei na mesma... ou não? Vá lá! Estás assim a salvo, então! Melhor resposta está visto que não se arranja... Mas porquê insistir em tentar entender, porquê... Ai, que puxões de orelhas!...
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Mas tenho de perdoar-me; preciso de ser mais suave e ter mais delicadeza, pois não é?

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...LEIT-MOTIV...

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...FAZER VERDADES...


Nada aconteceu…as palavras são um "leit-motiv", só que não distingo se me sossego, recrimino ou interrogo.
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Mas o certo é que o centro pareceu ter-se reinstalado, os passos tornaram-se ponderados e no entanto leves, a calma quase me levou ao sono antecipado, e eu decidi continuar a guardar a perplexidade por desembrulhar: o efeito continua a ter o efeito. A noite foi também mais inteira, o despertar a prestações menos inquieto. Nada da luz que então conhecera ao chegar ao dia _ fosse ele o mais tempestuoso ou simplesmente enevoado _ mas nada de esforço em aceitar a que veio.
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Alguma raiva _ palavra à partida rejeitada… _ teima em irromper perante a fatia de realidade insuficiente, parca, quase parva. Não importa, decides dispersá-la na perplexidade sobrante, num deliberado adiar da leitura; afinal, nada se passou _ escreveste.
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Agora acrescento : vê o que pretendes que se tenha passado. Porque tudo se (re)iniciou e quando a palavra se fez, o que “não se passou” deixou de ser inexistente. Dê-se-lhe espaço, tempos, forma. Sê cuidadosa e segue, i.e., dá existência, faz verdades.
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Fantástico, que só agora, aos mais de…, tenha tomado contacto com o escrito de H.H.. Tinha que ser: a minha viagem ao país da manhã tinha de acontecer-me antes de poder vir a ser revivida na dele. Assim como tinha de conhecer as opções em Siddartha. Vou ter que apurar da etimologia de Fatme...
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“As palavras não deverão mesmo ser tábuas de salvação da luz que alumia os dias, como se ela se estivesse desvanecendo com a poeira de distâncias, ou para não resvalar no conceito de sombras.Far-se-ão antes ponte por onde acudirão os lampejos invocados, pois como decidi, não deixarei que apenas compareçam como evocação. Saudosismo é interdito nas áreas nobres do léxico-dos-dias que escolho.”
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