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...NEBLINAS...
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04/07/0.
Pois é… é que as palavras parece que já não me falavam… as pausas seguiam-se às pausas, os silêncios fizeram os dias palrarem de cuidados de outros… impérios, quiçá mesmo ditaduras…
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Tenho trabalhado mal, formatado um mundo bem mais duro, pois cheguei a concluir que me falta _ e faz falta _ delicadeza. “In the end, only Kindness matters”. E no princípio, e pelo meio, através do tudo, tem-me faltado delicadeza.
Mas hoje tive/ste de trazer-te e trazer-me ao espanto, registado, registe-se, de ver que o mar saiu a passear. Está lá longe, visita a pele de alguns que se banham, é certo, mas de longe.
E o som…ressoa surdo, de longínquo, nada de violento ou tumultuoso, mas trouxe-me à presença da vertigem, tão sugestivo é, este eco de si em mim: ao longe…
Há bruma, leve, leve, nesta hora de sol a pique; a humidade amacia o ar de hora de menos prana _ mas a vertigem aderiu à minha estranheza… e tive de desistir de me entregar ao movimento, por suspeita de poder soltar-me mesmo…
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Não consigo explicar o que me toma e a minha firmeza é mais de fazer força do que ser forte…
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O mar apenas respira na borda da praia – só que esta está enorme espraiando-se pelo ex-mar adiante_ e mantém-se estendido, adormecido pelo horizonte afora, terminando atrás da minha nuca, bem podia, tudo igual, prolongando-se na redoma total, excepto pelo amarelo e vermelho plástico das cadeiras que me seguram no aqui.
Até a normalidade do serviço, conhecido desde outros anos, se alterou hoje : e iam dar-me cafeína a rodos: quem sabe se deveria ter deixado?
O livro que... ..
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... O Tempo do Deserto...
O livro que iniciei talvez seja forte demais para um período sem amarras como o que atravesso: parece falar de esquinas entre o cá e o lá, jogo de lâminas/desafios de controlo, mente/desmente/demente
Volto então ao mar; ao sol, ao ar que, de tão rebelde, se me tornou dolorosamente adverso, sublinhando a privação de âncoras. Mas ontem estive perto de energia humana e devo reconhecer que favorável e gentil, ainda que em breve passagem...
As brincadeiras oraculares no computador também assistiram a não me sentir tão alienada de realidade_ engraçado e irónico, até, este facto.
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Vou esforçar-me por laborar mais a disciplina do registo; custa-me de certo modo, nem sei bem qual, falar no retorno à palavra... Sinto-me ainda afastada do que me habituei a sentir quando usava esses termos. Projectos, sentimentos, são "coisas" longínquas e ficcionais, e o "deserto" feito pela agitação de presenças alheias numa massa incómoda e indesejada acaba por ser algo mais parecido com infértil e árido.
Conclusão: reformular vocabulário é mesmo urgente e as metáforas terão de me ser favoráveis como copas frondosas e frescas em tempo de secura...
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Desfolhou-se um dia.
Dia de retempero, sem dúvida alguma. Azul celeste, de dentro a fora, em cima em baixo; e até em redor as rajadas, mais suaves, foram-me mais doces.
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Bons auspícios, desde a consulta da manhã_ e ainda era manhã!
Vou ter de escolher sonhos, projectos. Depois, escrevê-los. Ou será que consigo decidir-me sem tanta aflição se os escrever primeiro, fazendo desse registo prioridade e testemunho irrevogável?
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A pergunta mais dominante permanece, continua sem resposta. Decidi ontem submetê-la ao oráculo oferecido pelos meus novos recursos. Entre nascimento e impedimento na mutação fiquei na mesma... ou não? Vá lá! Estás assim a salvo, então! Melhor resposta está visto que não se arranja... Mas porquê insistir em tentar entender, porquê... Ai, que puxões de orelhas!...
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Mas tenho de perdoar-me; preciso de ser mais suave e ter mais delicadeza, pois não é?
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