...like moving on clouds...

...like moving on clouds...
(Nome de movimentos em formas de taijiquan...)

25/08/2008

DESAPRENDER...PARA APRENDER...


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DESAPRENDER... PARA APRENDER
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A VIVER



OUVIR OS SINAIS DOS DIAS...




...E (re)fiz as aprendizagens práticas no caminho dos dias guiados pelos “sinais” que as minhas “antenas” de vida (re)desperta, e de novo em alerta apercebiam, pouco a pouco, amplificadas no tempo que a necessidade da presença da Natureza me trazia à contemplação.









E outras, também, mais teóricas, nos livros que ia encontrando, apenas por acasos _ ou as tais rimas do destino _ que os colocavam na minha proximidade, quase por debaixo dos olhos, em passagens inocentes, enquanto me surpreendia (a sós, sem achar alguém de confiança e saber a quem participar as minhas descobertas, sensações e incertezas) com o desenvolvimento de força, física e anímica, uma mais valia bem acrescentada, potenciada e derivada dos meus ritos de saúde diários _ sim, as minhas práticas físicas eram portanto bioenergéticas, além de todos os benefícios que envolve a renovada paixão pela vida...de quem julgara que nem força de cantar, rir ou, sobretudo, espaço para crescer tinha já... ou ainda?...







Também, a natural progressão da natureza contemplativa até ao hábito da meditação, deliberadamente procurada e encontrada na valorização do silêncio _ talvez dizendo melhor: na erradicação de várias formas de "ruído" _ potenciou ainda esta progressiva mudança .


Todos esses mecanismos me deram então uma sensação de pertença a instâncias que me ajudavam a regular-me entre “normalidades”, mas ainda na procura de um equilíbrio menos… radicalmente extático…







E li teorias que validavam as minhas práticas, sem dogmas, sem molduras fechadas, em quadro a quadro por onde transitava... E vi-me no centro de um mundo quase perfeito _ menosprezando como se fossem partículas de areias e não montes-obstáculos _ as contrariedades e dificuldades que pareciam querer provocar-me e que levariam outros, e a mim em outros tempos, ao desespero.





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31/07/2008

...VIAGEM DO LADO DE CÁ...



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...VIAGEM DO LADO DE CÁ...



...O LADO DE CÁ DE PARTIR...



E é junto ao mar, de ouvido pregado no som _ trazido em linhas de ouro pálido _ da mais distante onda sobrepondo-se ao rumor salitroso das algas a estenderem-se pelas planuras de vagas viagens, que me decido a enfrentar o lado de cá de partir...e recomeço.


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Então, os momentos de quase pecaminosa elevação a que a beleza da face oceânica me transporta lavam todos os desfavores da vida de terra-seca; e o mar não é palavra com género definido, e fervo com a desmesura de propriedade linguística que me agride, que agride a minha relação com o ser aquático que não consigo converter harmoniosamente por culpa das palavras...

E repesco-as nos recantos agora amaciados pela brisa marinha que vai docemente dobrando os ângulos agudos daquelas palavras amontoadas em si mesmas, elas, as adormecidas de sono leve como o hálito do poente sobre o peito das gaivotas que se retardam…







"…E a metafísica foi a anatomia do meu mundo, disfarçando bússolas de rosas-dos-ventos desviradas e universos de esquinas dobradas, enquanto cumpria relógios e toques com duração de outra gente…e consegui…e passei a ser _ ainda que só para mim e os seres e o mundo em empatia por vezes quase perfeita _ a criança que começa por saber tudo, com plena consciência sensorial, intuitiva e de enorme apetência pela recriação de um mundo que tinha deixado por explorar, que vivia em quase assustadora e plena liberdade, solta de medos, embriagada do desprezo de mortes, em paixão de vida, a solo e ao mesmo tempo em unidade a tudo…tão tarde… _ me repetia o tempo medido por calendário...

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21/06/2008

...Nem Ao Espelho...




...Nem Ao Espelho...


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...O Retorno...

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É mesmo assim.
Desprendi-me do meu..."interlocutor" pela cautela ética que quis acrescentar a essa criação…mas também para acrescentar espaço a mim própria, para meu resguardo, assim como que por um pudor de falar de algo tão inimaginavelmente íntimo, que nem ao reflexo no espelho se o
usa verbalizar: algo como expor as entranhas; escalpelizar emoções, é isso!…

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Houve um tempo em que uma prega de tempo me soltou _ eu estivera ali presa, naquela dobra que um qualquer esvoaçar de desconhecidas asas repentina mas oportunamente desdobrou _ pois não resistiria mais à eminente sufocação…
O afastamento não dera condições de logo me situar: foi como uma real travessia de dimensão.

A estranheza acompanhou-me e em período de reajustamento à existência de luz viva deparei-me com a impossibilidade de engolir alimento mental/sensorial preparado por outrem que não eu: não conseguia ler! Apenas não podia deixar de trazer papel e caneta por onde quer que andasse.

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Era simples: a mentalização pela escrita era o indispensável filtro do jorro de matéria bruta de emoções e de sentimento; através do exorcismo pela palavra escrita mantinha-me à tona de uma vida aparentemente normal; por outro lado, não aguentaria vivenciar as emoções cruas de outros _ em um antes-ansiado alimento; agora não!: as minhas estavam então em carne viva, sequelas do lugar de sombras… e do salto súbito, enfim, da viagem.


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E não sei de que outro modo seria mesmo possível resistir e continuar com o mínimo de sanidade, para garantir-me uma símile de manutenção da autonomia e eficiência, conquista escondida por trás de uma tão mais comum fachada-dos-dias, que assim se passavam, nessas dualidades …

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E aquele ser que falava pela minha caneta, tantas vezes depurando as golfadas de sensações que eu não atinava em de-escrever, era o quê? Os anjos? _ perguntava-me eu a sorrir comigo, tentando ultrapassar o pasmo _, e não falava desse retorno com mais ninguém.

A pouco e pouco, fui quebrando o estranho jejum; mas apenas lia “coisas” pseudo-instrutivas, na tentativa de aprender a mapear-me nos sinais que me cercavam _ e que eu elegia como roteiros dos dias…

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Claro que coisas destas não se “ventilam” com ninguém.
Nem o reflexo no espelho me é tão próximo que eu fosse ao ponto de cair nessa tentação…


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13/06/2008

...PAUSA...

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…Interregno …

…Tomando Fôlego…


Venho até ti, venho até aqui, pois


É aqui que o mar tem os postigos das sereias
É aqui que o mar tem o berço das neblinas
É aqui que o vento cavalga as ondas em corcéis de crina de espuma
É aqui que venho ouvir, nessa voz verde e sombria, o recado da concha mais funda
É aqui que venho procurar, nos dias de luz exígua, o brilho do olhar da alma do mundo
É aqui que venho abrir a caixa de mágoa ou fraqueza e
é aqui que deixo entrar a bênção ou esconjuro em incensário imenso de constante ondular
É aqui que venho entregar, de peito cheio e contente, a minha parte de mar sonhado
que os poros da alma consentem
É aqui que bebo a força quando a nortada enfraquece
É aqui que não estou só, voando à altura de gaivota
É aqui que me norteio, em rosa de ventos trocados…



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22/05/2008

...O REGRESSO...

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…O REGRESSO…

(em continuação da edição de "...FA(?)TOS USADOS..." )


Voltei…

...Assim, a modos que “posso ante posso”, como se se tratasse de um lugar emprestado…ou sob concessão, a esta prateleira _ não, gaveta e titular, pois!
Mas não deixa de ser tentador usá-la como pertença em mutualidade, i.e., com presenças nos dois extremos do éter, ligados pela tal ponte…eu já virei tratar desta coisa de pontes…é deveras fundo (bem mais do que apenas profundo, ou fundamental, em mim…).

E então venho apenas deixar… algo como um pedacinho de afecto, é bom poder recolher a casa, lançar pontes em palavras, mesmo que só com a sugestão de voz, …com ou sem timbre…Então trago um raiozinho da cor funda que me acompanhou hoje, colhido na visita ao mar (minha dependência nº 1: namoramar); não trago do cheiro de maresia: o mar tinha-se desistido...era um lago (seria da lua nova?), mas via-se muito arrepiado pela ventania fria, a nortada famosa que cá nos assola a partir desta época...; daí, nada de aromas...já foi obra simplesmente conseguir respirar e manter os pés em frente...


Despeço-me e tudo…esperando ter melhores e mais significativos momentos a guardar…


… … …



É difícil…


Não sei se vou conseguir continuar a vir aqui, inquietando-me com o receio de inquietar o meu suposto interlocutor, isto é, o papel que lhe atribuo tem um certo peso (no equilíbrio dos meus dias) e que tinha decidido conferir-lhe…colocam-se-me quase questões de ética, de resolução de papéis, de auto-posicionamento como sujeito e objecto _de plena consciência, note-se…



E se fosse um interlocutor real (nesta virtualidade, claro!)?
Não sei separar esse temor do outro, o de cortar o cordão que me une aos ecos de mim que encontrei ou, pelo menos, pensei sentir-me ao ler-me nas várias escritas que me ressoam como algo próprio…Também será uma forma de resistir a separar-me do investimento energético que acompanhou essa adesão: então é também uma resistência, (sendo adepta de “ahimsa”, nada de causar dano, nem mesmo por pensamentos ou por poder ser deliberadamente egoísta…não daria para assustar ninguém); seria algo como o “egoísmo iluminado”, de que fala o Dalai Lama _ apenas sem a iluminação, claro _ mas em busca da luz, isso sim…






Porque durante algum tempo eu estive incapaz de ler_ impensável jejum de uma só-então-ex-litero-dependente-crónica _ de vida própria sempre adiada, desde a infância, posso dizer, com um espaço de tempo crucialmente determinante para essa minha “absorção”ou bibliofagia: uma doença que me prendeu meses no leito; vivia bebendo as páginas dos livros com que se deram conta, felizmente, que tinham de alimentar-me_ mesmo que sem grandes critérios na escolha…



Mais tarde, foi ainda assim como que a tábua de salvação dos tempos “das sombras”, resistindo apenas nas e pelas vidas criadas por outros…sustendo-me em mundos virtuais, minha realidade …em ambiente seguro…

Até à travessia…





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17/05/2008

...FA(?)TOS USADOS...

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A cada dia há que reinventar a força de sonhar a vida que queremos que seja…




Fui ver o filme. À partida, não tinha qualquer campo de expectativa acima do horizonte; fui por curiosidade, para poder manifestar-me _ caso surgisse a oportunidade, ainda que remota _ de poder vir a fazê-lo em primeira-mão. Era um documentário, género que habitualmente não me atrai, mas fui aderindo, com alguma surpresa, presa pela inteligência e discernimento, que, em vez de discriminar, integrava assumidamente o jogo de contrastes, sem separação! Passei do aperto de coração ao riso pela mão suave da subtileza…Enfim: gostei mais do que previra... e deixei-o registado na “prateleira”: o humor bate tudo!!; a necessidade aguça o engenho...; o amor cura o mundo...minha leitura...demasiado rápida, mas humilde, perante o resto. E deixei um sorriso e uma saudação animada...
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Passou o tempo do meu “intermezzo”_ paralelo_e, ainda girando como num torvelinho, tentando gerir dois universos momentaneamente tangenciais, mas a velocidades diferentes, tratei de despedir-me daquela prateleira suspensa no espaço virtual, onde pingava breves notas das ondas de interferência que esse tempo/ balão de oxigénio trazia ao ritmo comiserado dos dias _ que pareciam perder algum brilho no logo-após….
Cada parcela fora um sol acrescentado.


...E sim, era confortável imaginar ter um interlocutor virtual menos imaginário do que é suposto existir na criação literária, e “saber” de afinidades que cimentam a ideia formal de ligação/ adesão...pronto, está bem, algum fascínio... mas de redes tecidas a nível mental...

A ideia acabou por me agradar e deixou-se ficar, de modo que a promovi, de prateleira, a gaveta, titular, com direito a cantos, recantos e possibilidades de amontoar algum material, até em ângulos oblíquos, …por um certo incerto tempo…Até deu para me pôr a idealizar como seria passar um tempo a experimentar a plasticidade das palavras, metaforizando em língua estrangeira; bom, para quem passa por vezes alguns períodos no limbo que é a inter-língua…talvez, quem sabe…é que há línguas maternas, mas também as haverá madrastas, não? Penso que conheço casos desses…


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..."Sempre que alguém acreditou que podia mudar o mundo, o mundo mudou" -frase publicitária numa carta duma seguradora que hoje o universo fez depositar na minha caixa de correio… "A" material!!

Não consegui ficar impávida: é uma das minhas frases-citação de eleição( ou colecção…), tal como a de Albert Einstein, que diz que só podemos ver o mundo de duas maneiras :”Ou que tudo na vida é milagre, ou nada o é..” Não é importante saber isso por palavras...está inscrito no cerne da minha vida...mais recente (tantas as peles que foram ficando pelo caminho...); mas rodeio-me delas porque há tempos de incertezas...de matizes descoloridos...tapetes que fogem...asas cansadas...
E hoje isso aconteceu porque a chama que tenho que alimentar a cada despertar tem andado intranquila...e não lhe tem sido fácil afastar o medo-papão...de que não seja mais importante sonhar do que ser-se sonhado(a) ...imperdoável fraqueza!

…E então tem de ser lembrada do que já traz tatuado, só que pelo avesso, herança de vividas epifanias: não desistir do sonho, da fé ...no "amor e humor" _ a panaceia para os males da alma que forja o mundo...
E é quase... constrangida, que segue a reforçar-se na proximidade dos rastos de faróis dessa luz, azul/esperança, nos ecos de vozes de arco-íris....

Obrigada, a todas essas vozes, por saberem, tão melhor e em beleza, iluminar os sonhos do mundo _ quiçá, também, ao serem guerreiros contra medos-papões pessoais é que se fazem ícones de nossas coragens...

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11/05/2008

...Do Tempo Das Asas...

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....Do Tempo Das Asas...

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Continuo a fintar as nuvens de nostalgia quando me venho debruçar na tela de alguns tempos…Afinal, tinha-me dedicado ao culto da esperança certificada, a certeza de algo melhor e mais sublime que sentia provir de um futuro com muito pouco de linear…, fruto de uma secreta e indistinta bússola, parente dos sorrisos que trago das visitas à fonte…

Era a instância das palavras caindo como gotas destiladas da emoção pura, escorrendo da flor dos sentidos para o papel em alinhamentos virgens de retoques ou mentalizações.

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O sofrimento que ainda rejeitas tem-se acumulado em volta, não distingues é se as arestas mais agudas se viram para fora, se para dentro. O

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Pois, parece que deixei em suspenso o efeito “porco-espinho”…Será uma das contingências relacionadas com o animal símbolo do ano?
Conseguirei exorcizar o conteúdo, até aqui mal ventilado, da mágoa que deixei acrescentar-se em meu redor, sem ter ainda a certeza de onde provém?

A luz dos dias é agora uma conquista ao movimento linear e convencional do tempo, um esforço da mente em trabalho substituto da certeza iluminada do tempo das asas.De quando em vez, pulsa até ao presente o pensamento _ ou sentimento _ que em determinada e indefinida altura povoou as minhas certezas.

Então é firme a noção de ser todos os instantes, havidos, supostamente perdidos, e ainda aqueles por haver. Assim como o conhecimento (certeza, não pode ser; pressupõe dúvida, o que nem se coloca!) de que apenas digo a outros o que se aplica a mim, ou vice-versa, nesse jogo da verdade mundanamente escondida de que somos todos a mesma face, do mesmo rosto, num mesmo corpo _ não podemos desprezar-nos_ e também: temos mesmo é de amarmo-nos!
Belo álibi para um qualquer cultista do ego!

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Regresso com renovado interesse ao desenrolar das instâncias em que me sentia tão próxima do que poderia ser o melhor de mim: aquelas descobertas tombando, não, gotejando das alturas, de alguma destilaria sublime, alquimia pura de desconhecimentos e sabedoria intrincadamente enredadas mas subitamente simples...

Enfim, cá me debato com o vazio palavroso, ferramenta mais ingrata para pintar interiores de gente!...

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...NEBLINAS...

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...NEBLINAS...

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04/07/0.



Pois é… é que as palavras parece que já não me falavam… as pausas seguiam-se às pausas, os silêncios fizeram os dias palrarem de cuidados de outros… impérios, quiçá mesmo ditaduras…

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Tenho trabalhado mal, formatado um mundo bem mais duro, pois cheguei a concluir que me falta _ e faz falta _ delicadeza. “In the end, only Kindness matters”. E no princípio, e pelo meio, através do tudo, tem-me faltado delicadeza.

Mas hoje tive/ste de trazer-te e trazer-me ao espanto, registado, registe-se, de ver que o mar saiu a passear. Está lá longe, visita a pele de alguns que se banham, é certo, mas de longe.

E o som…ressoa surdo, de longínquo, nada de violento ou tumultuoso, mas trouxe-me à presença da vertigem, tão sugestivo é, este eco de si em mim: ao longe…


Há bruma, leve, leve, nesta hora de sol a pique; a humidade amacia o ar de hora de menos prana _ mas a vertigem aderiu à minha estranheza… e tive de desistir de me entregar ao movimento, por suspeita de poder soltar-me mesmo…

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Não consigo explicar o que me toma e a minha firmeza é mais de fazer força do que ser forte…


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O mar apenas respira na borda da praia – só que esta está enorme espraiando-se pelo ex-mar adiante_ e mantém-se estendido, adormecido pelo horizonte afora, terminando atrás da minha nuca, bem podia, tudo igual, prolongando-se na redoma total, excepto pelo amarelo e vermelho plástico das cadeiras que me seguram no aqui.


Até a normalidade do serviço, conhecido desde outros anos, se alterou hoje : e iam dar-me cafeína a rodos: quem sabe se deveria ter deixado?


O livro que... ..


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... O Tempo do Deserto...



O livro que iniciei talvez seja forte demais para um período sem amarras como o que atravesso: parece falar de esquinas entre o cá e o lá, jogo de lâminas/desafios de controlo, mente/desmente/demente



Volto então ao mar; ao sol, ao ar que, de tão rebelde, se me tornou dolorosamente adverso, sublinhando a privação de âncoras. Mas ontem estive perto de energia humana e devo reconhecer que favorável e gentil, ainda que em breve passagem...


As brincadeiras oraculares no computador também assistiram a não me sentir tão alienada de realidade_ engraçado e irónico, até, este facto.
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Vou esforçar-me por laborar mais a disciplina do registo; custa-me de certo modo, nem sei bem qual, falar no retorno à palavra... Sinto-me ainda afastada do que me habituei a sentir quando usava esses termos. Projectos, sentimentos, são "coisas" longínquas e ficcionais, e o "deserto" feito pela agitação de presenças alheias numa massa incómoda e indesejada acaba por ser algo mais parecido com infértil e árido.


Conclusão: reformular vocabulário é mesmo urgente e as metáforas terão de me ser favoráveis como copas frondosas e frescas em tempo de secura...
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Desfolhou-se um dia.
Dia de retempero, sem dúvida alguma. Azul celeste, de dentro a fora, em cima em baixo; e até em redor as rajadas, mais suaves, foram-me mais doces.
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Bons auspícios, desde a consulta da manhã_ e ainda era manhã!
Vou ter de escolher sonhos, projectos. Depois, escrevê-los. Ou será que consigo decidir-me sem tanta aflição se os escrever primeiro, fazendo desse registo prioridade e testemunho irrevogável?
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A pergunta mais dominante permanece, continua sem resposta. Decidi ontem submetê-la ao oráculo oferecido pelos meus novos recursos. Entre nascimento e impedimento na mutação fiquei na mesma... ou não? Vá lá! Estás assim a salvo, então! Melhor resposta está visto que não se arranja... Mas porquê insistir em tentar entender, porquê... Ai, que puxões de orelhas!...
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Mas tenho de perdoar-me; preciso de ser mais suave e ter mais delicadeza, pois não é?

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...LEIT-MOTIV...

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...FAZER VERDADES...


Nada aconteceu…as palavras são um "leit-motiv", só que não distingo se me sossego, recrimino ou interrogo.
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Mas o certo é que o centro pareceu ter-se reinstalado, os passos tornaram-se ponderados e no entanto leves, a calma quase me levou ao sono antecipado, e eu decidi continuar a guardar a perplexidade por desembrulhar: o efeito continua a ter o efeito. A noite foi também mais inteira, o despertar a prestações menos inquieto. Nada da luz que então conhecera ao chegar ao dia _ fosse ele o mais tempestuoso ou simplesmente enevoado _ mas nada de esforço em aceitar a que veio.
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Alguma raiva _ palavra à partida rejeitada… _ teima em irromper perante a fatia de realidade insuficiente, parca, quase parva. Não importa, decides dispersá-la na perplexidade sobrante, num deliberado adiar da leitura; afinal, nada se passou _ escreveste.
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Agora acrescento : vê o que pretendes que se tenha passado. Porque tudo se (re)iniciou e quando a palavra se fez, o que “não se passou” deixou de ser inexistente. Dê-se-lhe espaço, tempos, forma. Sê cuidadosa e segue, i.e., dá existência, faz verdades.
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Fantástico, que só agora, aos mais de…, tenha tomado contacto com o escrito de H.H.. Tinha que ser: a minha viagem ao país da manhã tinha de acontecer-me antes de poder vir a ser revivida na dele. Assim como tinha de conhecer as opções em Siddartha. Vou ter que apurar da etimologia de Fatme...
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“As palavras não deverão mesmo ser tábuas de salvação da luz que alumia os dias, como se ela se estivesse desvanecendo com a poeira de distâncias, ou para não resvalar no conceito de sombras.Far-se-ão antes ponte por onde acudirão os lampejos invocados, pois como decidi, não deixarei que apenas compareçam como evocação. Saudosismo é interdito nas áreas nobres do léxico-dos-dias que escolho.”
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21/04/2008

..NAMORAMAR ...


REGISTOS ( CONT. )









Namoramar


03/03/0

O coração pequenino do pássaro azul _lembras-te? _bate grande no meio do peito.
A ameaça de chuva chama-me com a mesma veemência do mais límpido céu azul. Claro que tanta nuvem abre escassas perspectivas de vir a ter livre a visão do eclipse lunar. Mas a lua cheia está bem presente no espírito do dia, na tibieza do sol.
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Em rasto de lua cheia voltei a sonhar, com gosto a desagrado. Só o registo, por ser facto tão raro ter lembrança de tais incursões. Mais raro ainda é ficar-me dentro o augúrio de coisas boas que me amparem no caminho por andar…


12/03/0

Quando descobri a expressão “ dar a volta ao texto “, algo em mim passou a ter nome, significado com território mapeado. Mais tarde, cheguei mesmo a dobrar as arestas de certas esquinas, a virar direcções da rosa-dos-ventos, a alienar bússolas certas e a fazer faróis de luzeiros sem órbita fixa.
É por esse motivo que me sinto menos eu, quando se estende a lista dos dias em estagnada confirmação.

A paixão é o nome da hiperestesia mentalizada e buscada. O frémito é visita de cerimónia e sem surpresa. É isso. A surpresa já não está presente no sempre de cada aqui.
Mas que alegria, a que traz o dia em que o pássaro azul, mistério perene, se agita no peito e no verde, ou cinzento, ou nada do cenário do então!...
A suspeita, o desejo, a interrogação cedem então o lugar àquela certeza imparável de que volto a ser sonhada, sem sombras nem pesadelos. Sem presenças, sem ausências, apenas próxima. Uma razão de existir, validada no outro lado do espelho.


14/03/0

Saí. Soltei amarras, destrocei laços de vãs esperanças, vis ressentimentos, ínfimos pressentimentos…estéreis.
Libertei-me: quando recordei a promessa de resgate antecipado, perdão de ainda inculpas. E ao fazê-lo caiu-me em cima _ e dos lados, e dos pés _ a liberdade que se atinha a fios semi-dilacerados, teimosos e rebeldes ao cair definitivo.
A minha garantia do infinito ficou-me tatuada no dentro.
Vou deixar o sol apropriar-se do território vago de atilhos. Todo o espaço do mundo,
à espera de nada…pronto para tudo!


16/03/0.

Namoramar. Este é o laço que vou estreitando

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20/04/2008

...Ciclos Lunares...( REGISTOS)





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Pois, saltei por cima da lua nova, talvez por não me parecer muito atraente o símbolo do ano .
Também saltei hoje a inexplicável distância a que me tenho votado _ e agora pergunto-me mesmo se seria simplesmente das areias ou da proximidade do que contemplo no mar…
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Assim perto, recuperei, i.e., recuperei-me um pouco, mas nem sei de quê.
Voltei a surpreender-me com a falta de cor que o cenário toma imediatamente depois de me recolher na luz dos olhos cerrados. A casa da água deu-me a possibilidade de manter as imagens do mar na superfície das pálpebras, sem longas buscas no avesso. Mas nem tudo permanece inalterado.
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Depois da aula matinal de ioga fui visitar a praia desse lugar. Trepei ao muro, mas fiquei longe do enquadramento que tentava refrescar. Nem doeu; além disso, o mar estava com falta de cor, turvo de agitado, as nuvens toldavam a cena e a chuva chegou pouco depois de vir embora.
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Não sei a quem perguntar se é possível não se esquecer alguém por não se ser esquecido _ ou se é apenas uma treta de mau esquecedor!

A que propósito o despropósito daquele reencontro fosco e …sei lá o quê?! Novamente o sabor de desencontros, isso sim, sempre sem explicação. O pior é que a frescura do tempo dos anjos cristalizada na incontestável fé nos sinais dos dias não tem sido um caminho tão certo como se apresentava, que digo, como eu o sentia _ assim sim.
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Não vou corrigir as frases densas; elas são a salvaguarda da minha confusão sempre presente quanto à explicação do meu lugar no meu mundo _ ou vice-versa. E este hermetismo, que em outros lugares/momentos poderá ser protecção, não é mais do que poeira estelar.



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Fui. Sem saber como pousar-me, estralejando de insónias de outros mundos, e que não queria, de troncos-obstáculos a colarem-se-me em cerco de matéria-fogo.
Lembrei-me de te lembrar o que podes fazer por mim; deixei-te fazer. E o leve alcançou-me, o olhar perdeu-se nos rastos entre nuvens.
Consegui sorrir e tive resposta num recanto de sol pálido e logo mais aberto; a cor chegou quase sem traços num cenário bem mais céu.
Sobretudo, fizeste-te mais próximo, com rendas e jade, e vesti os olhos de ti e chegaste-me à boca da alma… E voltei a encontrar a passada que não se importa de onde pousa.

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O bosque de troncos verdejou, bem pequeno, no longe das terras de César, onde nunca me tolheram a passagem _ desde que as visito entre tempos de ti, de nós, dos nossos esboços de sonhos sobre a esfumada terra do real.



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19/04/2008

...Desfazendo névoas...




Registos de fazer acontecer … a escrita




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Sem aviso, um fio de nostalgia desceu numa espiral de neblina emergente de nenhures, surpreendendo a pele feliz de sol e de tepidez, invadindo o agora com a sugestão de sombras antes longínquas, como frios restos de outroras por resolver. Decidi então, de peito feito para qualquer sugestão de ameaça à minha presente paz, soprá-la, desfazer aquelas voltinhas de quase nada, insidiosas, não_ insinuantes_ decidira eu, não foi?
Passei a voltear com elas, vendo-as abrirem-se à minha passagem, para apenas se multiplicarem em tentáculos de humidade. Decididamente, não reagem _ ou não reajo _ como queria. Atrás da frialdade vem o arrepio, já não aquele formigueiro que sugere a magia a incendiar o centro do existir, mas _ decidiste, não foi? _ lembrares-te que és, sempre que o desejes, todos aqueles instantes do tempo da luz em que dizias viver nos jardins e antecâmaras do paraíso.




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E eis-te aqui, para que o pensamento se transforme em matéria, e dessa decisão se faça a transmutação do efémero no permanente. Lêste-o, algures, e tiveste medo de acreditar _ o que desacreditaria todos os tempos de todo o tempo desperdiçado, os sonhos descartados , antes de saberes fazer a sua verdade.

Sorri, faz de conta que o hábito faz o monge, sobretudo lembra que és a luz que quase todos viam sem que o suspeitasses e basta apenas evocares o facto para que ele seja. E a música que trazias, se calhar era ela que te transportava à plataforma de alegria contida e muito mal disfarçada que sentias irradiar, impedindo as sombras de te cercarem ou porventura assustares-te, quando reparavas na estranheza de alguns desconfiados de tanta beatitude.


14/02/..



A verdade brincou com a coincidência num local que a maioria denomina realidade.Foi no ontem.
E continuo sem saber o que aconteceu; já me ocorreu deixar passar, pois nada aconteceu…

Fui passear-nos: a mim, à perplexidade e a nós; trazer-te ao céu, cenário de voos e impulsos alados; a mim, revisitar-te no olhar que raro ousaste. Mas o mar estava turvo, irrequieto na confusão de terra e águas, lutando ainda por supremacias. Um bando de sete pombas voou-me por cima, ultrapassando-me no caminho da vertical, reduzindo-me ao nível da dolente gaivota solitária. O nós continua intocado, por enquanto; ainda não sei o que vou escolher acreditar.


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17/04/2008

...VIAJANTES DAS NUVENS...

VIAJANTES DAS NUVENS



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E os oceanos

Vieram em oferenda

E em entrega;

E entre a humildade e a fraqueza

Tiveram a força

De vir sorrindo.



As dúvidas permanecem

Mas o mar trocou

Um pouco

O seu lugar com o céu.

E nessa troca se celebrou

A ponte que,

Desde esse

Então,

Por vezes une

Os viajantes das

Nuvens...

......
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